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Informa Economics FNP

21/11/2011 - América do Sul tem maior participação no mercado mundial de grãos

A participação dos países da América do Sul no mercado mundial de grãos vem apresentando uma conjuntura diferente nos últimos anos. O aumento da produção e investimentos em tecnologias, principalmente no Brasil, têm elevado a oferta das principais commodities agrícolas do mundo, como soja e milho, e, consequentemente, aumentando a participação desses países no mercado mundial.

Em 2011/12, as expectativas apontam para um novo aumento das exportações dos países do hemisfério Sul, mesmo com os problemas em relação ao crescimento da economia da Zona do Euro. Isso porque a oferta norte-americana de grãos será bem menor que o esperado, devido aos problemas climáticos que as principais regiões produtoras passaram ao longo desta safra, o que diminui drasticamente o potencial produtivo das lavouras. Já a demanda segue firme, principalmente pela atuação da China, o maior consumidor dessas commodities no mundo.

Sobre as importações chinesas de soja, no último dia 18 de outubro autoridades do governo do país reiteraram a expectativa do mercado para uma maior importação de soja em grão no ano de 2012 – foi anunciada a expansão da capacidade de esmagamento da oleaginosa em 12,5 milhões de toneladas, totalizando 125 milhões de toneladas. As expectativas são do Centro Nacional de Informação de Grãos o Olaginosas da China (CNGOIC).

Para 2011, a capacidade de processamento de soja deve aumentar em 17,5 milhões de toneladas em unidades que podem processar tanto soja como colza, disse o CNGOIC em recente relatório. Anteriormente, o centro havia estimado um aumento de 12,3 milhões de toneladas na capacidade de esmagamento neste ano. Os esmagadores da China operam com cerca de 50% de sua capacidade atual, mas a expansão continua particularmente em companhias estatais, como a COFCO e a Sinograin.

A mais recente estimativa do órgão governamental é que as processadoras chinesas devam esmagar cerca de 59 milhões de toneladas entre outubro/2011 e setembro/2012, aumento de 7,2% sobre o ano anterior, para atender a crescente demanda por farelo de soja, que é insumo para a forte indústria de ração e óleo de soja. Em um ano, a produção de soja na China caiu cerca de 10% (13,5 milhões de toneladas), uma vez que os produtores chineses optaram mais pelo cultivo do milho, o que reduziu significativamente a área da oleaginosa – o suprimento virá das importações.

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os embarques chineses devem somar 56,5 milhões de toneladas, mas outros agentes do mercado projetam valores acima de 58 milhões de toneladas. As importações de soja da China em 2010/11 atingiram recorde de 52,31 milhões de toneladas, alta de 4% sobre o ciclo anterior, porém esse crescimento é o menor dos últimos três anos, uma vez que esmagadores registraram perdas no primeiro semestre do ano. É importante destacar que a grande potência asiática reduziu a área plantada de oleaginosa para aumentar a de milho, devido a maior dependência do cereal, que é usado como insumo de ração animal.

Já sobre os Estados Unidos, os maiores produtores de soja, acredita-se que a produção fique em 82,9 milhões de toneladas, segundo estimativas do USDA e da Informa Economics dos Estados Unidos. Se comparada à produção do ano anterior, a baixa é de 8,5%. A queda da produção de soja no país foi também influenciada pela perda de área plantada para o milho, que tem forte demanda interna (produção de combustível) e internacional. Com isso, a participação da soja norte-americana no país cairá 10,3% em relação a 2010, dando mais espaço para a participação do Brasil e Argentina.

É importante notar que países do hemisfério sul, como o Brasil e Argentina, no pico de entressafra (menor oferta do produto) aumentaram o volume exportado nos últimos anos. A dinâmica da oferta de grão no mercado internacional funciona da seguinte forma: entre setembro até fevereiro do ano seguinte, países do hemisfério norte, como os EUA, aumentam seu volume exportado de soja, pois há maior oferta do produto (período de safra). O contrário acontece no hemisfério sul, onde os países com maiores volumes exportados entre março e agosto estão concentrados.

Exportações brasileiras e argentinas de soja (por mês, em milhares de toneladas)



Para a temporada 2011/12, os fundamentos indicam que, no período de entressafra no hemisfério sul, o volume exportado seja maior que no mesmo período do ano passado, tanto pela menor oferta dos EUA como pela firme demanda chinesa. Entre os meses de setembro de 2011 e fevereiro de 2012, o volume exportado pela Argentina e Brasil deve ser de aproximadamente 12,06 milhões de toneladas (sendo 4,18 milhões de toneladas da Argentina e 7,89 milhões do Brasil), enquanto que, no mesmo período no ciclo anterior, esse volume foi de 5,61 milhões de toneladas (1,56 milhão da Argentina e 4,05 milhões do Brasil).

Essa dinâmica das exportações, notadamente para o Brasil, tem elevado os prêmios de exportação. Historicamente, os com vencimento no mês de outubro (entressafra), por exemplo, apresentam valores positivos devido à própria sazonalidade. Porém, nos últimos anos, o prêmio pago aos exportadores vem caindo com a maior participação do país no mercado internacional, durante o período de entressafra.

Evolução dos prêmios de exportação em Paranaguá - PR (em US$ ¢/bushel)



Com relação às cotações da soja para a temporada 2011/12, apesar dos fundamentos indicarem tendências altistas, a Informa Economics FNP acredita que os preços operem abaixo da média da temporada 2010/11. Os fatores que devem contribuir para esse movimento serão a expectativa de valorização do dólar frente às principais moedas internacionais, a crise na Zona do Euro e a maior participação dos produtores sul-americanos da oleaginosa.

Cotações de soja  na Bolsa de Chicago (em US$ ¢/bushel)



É importante destacar que o quadro de oferta da soja apresenta conjuntura bem diferente da do milho. Os principais players do mercado de soja no mundo (Estados Unidos, Brasil e Argentina) são responsáveis por mais de 80% da produção mundial e têm pequena diferença de produção. Logo, um choque de oferta em um desses países pode ser amenizado pelo aumento de produção em outro – situação semelhante deve acontecer nesta safra, pois o Brasil e a Argentina devem compensar a quebra norte-americana.

Participação de Argentina, Brasil e Estados Unidos na produção mundial de soja



Bem diferente do que acontece com a dinâmica do mercado de milho, onde só os EUA respondem por mais de 35% da produção mundial; o Brasil tem quase 7% e a Argentina, 3% a – logo, fica mais difícil para outros países compensarem a quebra de safra de milho dos EUA.

Participação de Argentina, Brasil e Estados Unidos na produção mundial de milho



Fonte: Informa Economics FNP

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