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Demanda por produto dos EUA e clima no Brasil direcionam os preços

15/01/2019 - Demanda por produto dos EUA e clima no Brasil direcionam os preços

São Paulo, 14/01/2019 - Investidores do mercado futuro de soja na Bolsa de Chicago (CBOT) devem começar a semana atentos a relatos de negociações de soja norte-americana para a China, ao clima na América do Sul e às projeções para a safra brasileira. Na sexta-feira, os futuros de soja na CBOT voltaram a fechar em alta, com compras técnicas e de oportunidade depois do recuo de mais de 1% na quinta-feira. Na semana, a oleaginosa acumulou perdas de 1,22%.


Conforme o analista Aedson Pereira, da IEG FNP, investidores seguem atentos à negociação comercial entre Estados Unidos e China e à demanda chinesa pela oleaginosa norte-americana. "As variações nos preços vão sendo ditadas por compra da China nos EUA. Quando a China fecha alguma operação nos EUA, a bolsa esboça recuperação", apontou o analista. Os ganhos esbarram, contudo, em uma perspectiva de estoque ainda confortável. "Por mais que haja quebra de produção no Brasil, a Argentina deve ter uma safra boa e os EUA estão com estoques historicamente elevados. Chicago está com dificuldade de ultrapassar US$ 9,20/bushel, quanto mais bater em US$ 9,50/bushel."


O analista ressaltou que o governo chinês e outras entidades estão prevendo que o país importará 84 milhões a 89 milhões de toneladas de soja, abaixo dos 93 milhões a 94 milhões de toneladas adquiridas no ano passado, em virtude da redução do esmagamento relacionada à peste suína africana e à incerteza sobre uma solução do impasse com os EUA. "A Bolsa de Chicago está em compasso de espera para que a China amplie o programa de compras nos EUA e isso possa dar suporte aos preços." Entretanto, a China se preparou para o atual período, adquirindo um grande volume do Brasil no fim de 2018, conforme o analista. Mesmo se o Brasil de fato tiver quebra de safra, a Argentina poderá fornecer mais grãos para o país asiático, além da expectativa de estoque de 26 milhões de toneladas nos EUA, segundo o analista.


Pereira destacou que, por enquanto, o mercado tem sido balizado por rumores de novas compras chinesas, já que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) continua não apresentando dados de venda semanais ou diários por causa da paralisação do governo norte-americano. "Nos bastidores, a gente tem acompanhado que estão acontecendo algumas operações, mas ainda em volumes muito pontuais. A firmeza dos preços está sendo balizada por esses reportes." O analista ponderou que a alta de sexta-feira foi mais uma recomposição de carteira após as perdas da véspera. "Mas na terça e quarta-feira podem surgir mais reportes de aquisições chinesas nos EUA. Aqui no Brasil a China não está conseguindo fazer novas compras." Pereira disse que produtores brasileiros estão focados na colheita e no cumprimento de contratos até que saibam efetivamente o volume que vão produzir em meio às perdas causadas por adversidades climáticas. Além disso, os preços atuais não atraem interesse de venda por causa do recuo do dólar e dos prêmios. "O mercado brasileiro está com liquidez praticamente nula."


A Fitch Solutions disse na sexta-feira esperar que os preços médios de soja subam em 2019. Conforme a agência de rating, se a China voltar a comprar mais soja dos EUA e o clima seco continuar prejudicando as lavouras no Brasil, os preços tendem a subir. Dos três grãos, a soja deve ter o melhor desempenho, segundo a Fitch, com os preços médios de 2019 subindo para US$ 10 por bushel, 8,8% acima da média de 2018, de US$ 9,19 por bushel.


Na semana passada, os mercados de grãos dos EUA ficaram no escuro sem o relatório mensal de oferta e demanda que seria apresentado na sexta-feira mas foi adiado pelo USDA. De acordo com o analista Craig Turner, da Daniels Trading, a expectativa era de que seria informado um grande estoque de soja nos EUA. Em lugar dos números do USDA, traders e analistas têm confiado em dados de empresas privadas e de outros países - como o relatório da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) - para criar uma imagem da oferta mundial.


Quanto à safra brasileira, Pereira ressaltou que a IEG FNP está fazendo um levantamento junto a produtores, cooperativas e tradings e avalia um corte na previsão de produção do Brasil entre 3 milhões e 5 milhões de toneladas, o que se traduziria em uma safra entre 117 milhões e 119 milhões de toneladas. Conforme o analista, o clima seco e as temperaturas elevadas causaram problemas principalmente no Paraná e em Mato Grosso do Sul, mas também em algumas áreas de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. "Mesmo que venha a chover em janeiro não é possível recuperar parte dessas lavouras, porque o dano foi severo em algumas áreas", disse. "Infelizmente o potencial de 120 milhões de toneladas já foi abandonado."


Além das perdas já consolidadas, o mercado segue atento ao clima no País. "Agora os olhos se voltam para Rio Grande do Sul e Santa Catarina bem como para a região do Matopiba", ponderou o analista, destacando que essas áreas começam a entrar nas fases de floração e reprodução. Segundo ele, para Norte e Nordeste, as previsões meteorológicas indicam períodos de seca no fim de janeiro. "Essas previsões trazem certa preocupação. Se faltar chuvas com um mínimo de regularidade, ou se a temperatura aumentar como aumentou no Paraná e no Rio Grande do Sul, podemos ter problemas de safra do Matopiba." Já para o Rio Grande do Sul, a perspectiva é de chuvas mais amenas e com boa distribuição, o que beneficiaria as lavouras do Estado.


Na Argentina, o plantio da safra 2018/19 de soja atingiu 96,1% da área prevista, de 17,9 milhões de hectares, informou na quinta-feira a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. O número representa avanço semanal de 6,5 pontos porcentuais. O plantio está 1,8 ponto porcentual adiantado em relação a igual período do ano passado. Segundo a bolsa, a tendência para a safra continua sendo favorável, apesar da disparidade de cenários nas regiões de cultivo. A maioria da safra (91%) se encontra em condições normais, boas e excelentes.

No mercado doméstico, a negociação avança de forma pontual, estimulada pela necessidade de esmagadoras. O dólar teve a quarta semana consecutiva de queda, acumulando baixa de 5,12% nos últimos 30 dias. Na sexta-feira, o dólar à vista fechou em alta de 0,16%, a R$ 3,7135.


Em Primavera do Leste (MT), compradores indicavam R$ 65/saca para entrega imediata em fábricas da região, com pagamento em 72 horas, sem negócios reportados no fim da semana passada. Apesar da volatilidade dos preços em Chicago entre quinta e sexta-feira, com queda na quinta e alta na sexta, os preços ficaram estáveis de um dia para o outro em Primavera, segundo o corretor Lincoln Marra, da Focus, em virtude da necessidade de soja por parte de fábricas. Na quinta-feira tampouco havia rodado negócios. Vendedores pediam R$ 67 a R$ 68 por saca.


Para prazos mais longos, a indicação de compra era de R$ 62/saca para entrega em fevereiro em Primavera e pagamento em março, mas nada saiu, segundo o agente. "Produtores estão mais focados nas entregas de contratos para janeiro, esperando um tempo para ver se o preço volta a ficar acima de R$ 62/saca." Para fevereiro, a pedida de vendedores era de R$ 65/saca. A colheita na região está no começo. Ocorreram perdas de produção, especialmente em Paranatinga e Vila União, segundo o corretor.


No norte do Rio Grande do Sul, um lote de mil toneladas de soja disponível foi negociado na sexta-feira para entrega imediata e pagamento no fim do mês, por R$ 76/saca, para comprador do mercado interno, segundo o corretor Keith Barsby, da Ceagro. Há poucas negociações para o exterior neste momento. "Exportadores já venderam tudo, conseguiram lotar todos os navios que tinham", conta.


As indicações de compradores para prazos mais longos eram de aproximadamente R$ 76,50/saca para entrega em abril/maio e pagamento no fim de maio; e de R$ 78/saca para entrega em maio/junho e pagamento no fim de junho no Porto de Rio Grande. Já vendedores pediam, pelo menos, R$ 84/saca nessas condições. Segundo Barsby, a diferença expressiva se deve à oscilação recente dos preços da oleaginosa. "Ano passado, soja foi vendida no porto por R$ 100/saca. Hoje, estando 20% mais barata, vendedores não têm interesse", disse ele.


Para o agente, os negócios no Estado devem voltar a andar em um ritmo mais rápido em fevereiro ou março, mais perto da colheita. "Neste momento, produtores ainda têm tempo e seguram mais as vendas. Por isso, nessa época do ano o mercado costuma ser lento mesmo", afirmou.


O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 70,96/saca (-0,13%). Em dólar, o indicador ficou em US$ 19,10/saca (estável).

 

Fonte: Agência Estado

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