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07/12/2018 - Agronegócio brasileiro se prepara para o fim da guerra comercial entre EUA e China

A iminente resolução do impasse comercial entre EUA e China, cujo importantes passos foram dados na reunião do G20 em Buenos Aires, assim como ocorreu quando do início das desavenças entre as duas maiores economias do mundo, tende a reconfigurar algumas importantes correntes comerciais do Brasil, sobretudo, no caso de produtos agropecuários, as estabelecidas com os chineses. As principais decisões tomadas durante o sábado (01) foram a suspensão por 90 dias de aumentos de tarifas já determinadas ou eventual imposição de novas tarifas por parte dos EUA em troca das promessas chinesas de ampliar o acesso de empresas norte-americanas ao seu mercado, de aperfeiçoar a sua lei de defesa da propriedade intelectual e de retomar e intensificar aquisições de produtos norte-americanos, dentre os quais destacam-se automóveis e commodities agropecuárias.

Até agora, entre o vai-e-vem de ameaças, o total de tarifas que já estão vigendo e aplicadas aos chineses abrangeu cerca de US$ 250 bilhões em bens e serviços. Do outro lado, a retaliação a produtos norte-americanos compreendeu US$ 110 bilhões.

As principais correntes comerciais de produtos envolvidas na disputa entre os países e que beneficiaram direta ou indiretamente o comércio internacional brasileiro foram as de carne de suína e de soja.

De modo geral, desde que de fato as barreiras comerciais passaram a ser erigidas, as compras chinesas de produtos brasileiros aumentaram 29% de janeiro a outubro, comparativamente ao mesmo período do ano passado, para US$ 53 bilhões, acima do incremento das vendas externas totais do Brasil (8,5%) e das vendas externas brasileiras para os EUA (7,0%).

Parte desse incremento das vendas se deu no mercado de soja. Em 2018, a China já obteve mais de 66 milhões de toneladas, 31% a mais do que em todo o ano passado. A participação do Brasil nas importações chinesas do produto, dessa forma, subiu de 53% para 72%, enquanto que a dos EUA caiu de 34% para 13%.

Os embarques de carne suína para China, por sua vez, subiram das 66 mil toneladas de todo o ano de 2017 às 88,9 mil toneladas do período janeiro novembro deste ano, tomando mais da metade das exportações do produto pelo Brasil. No mesmo período, inclusive, as exportações norte-americanas para o país caíram para 100 mil toneladas, 24% a menos do que no ano anterior. Especificamente no caso da carne suína, no entanto, não se pode atribuir o aumento das aquisições integralmente à guerra comercial, uma vez que China, há pelo menos 5 anos, vem intensificando as aquisições do produto brasileiro.

Além do impacto direto das aquisições, cabe mencionar o efeito da guerra sobre a taxa de câmbio. Ela foi determinante para o aumento da percepção de risco dos investidores que atuam no mercado internacional de câmbio (Forex). Assim, consequentemente, a os ativos de maior risco, presentes na carteira de países emergentes, passaram a ser alvo de liquidações de posições, o que colaborou com a depreciação de suas moedas e aumentou a atratividade das suas commodities exportáveis.

Dessa forma, caso a resolução do impasse, que ainda está no campo das intenções e negociações, se materialize, por estranho que soe, o setor suinocultor brasileiro pode ser beneficiado.

Como o aumento das exportações de carne suína para a China faz parte de uma mudança estrutural das aquisições do país, que possui uma crescente demanda pelo produto em razão taxa significativa de crescimento populacional, mesmo que o país compre mais dos EUA ainda haverá espaço para incrementos das exportações brasileiras.

Em contrapartida, é fato que as moedas dos emergentes passem a se apreciar com o aumento do apetite dos investidores por ativos de risco, mas a taxa de juros real das mais baixas da história vigendo no Brasil e a insegurança do mercado em torno do início do governo de Jair Bolsonaro devem garantir uma taxa de câmbio num nível competitivo.

Por fim, o grande benefício aos suinocultores deve se assentar na redução dos preços da saca de soja. Sem nenhum outro grande fornecedor que supra a diminuição das aquisições chinesas em razão da retomada das aquisições do grão norte-americano, o Brasil, que deve produzir uma safra recorde, pode enfrentar um represamento do grão no mercado interno. A partir disso, a demanda garantida da carne suína somada a redução dos preços de um importante insumo na soja deve resultar numa expressiva melhora da relação de troca entre o quilo da carne e da ração.

 

Fonte: IEG FNP

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