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Reabertura da Rússia: grandes indústrias não se beneficiam

01/11/2018 - Reabertura da Rússia: grandes indústrias não se beneficiam

De acordo com informações do Serviço Sanitário da Rússia (Rosselkhoznadzor), nove frigoríficos brasileiros poderão voltar a exportar carnes aos russos. Desse total, cinco terão autorização para comercializar carne bovina e quatro poderão exportar carne suína. A reabertura entra em vigor nesta quinta-feira, de acordo com os russos.

Na prática, a decisão de Moscou representa uma redução do número de estabelecimentos autorizados a exportar. Antes do embargo, que teve início em dezembro do ano passado, 18 frigoríficos brasileiros estavam habilitados a exportar carne suína e 30 frigoríficos estavam autorizados a vender carne bovina. Entre as empresas que poderão voltar a exportar aos russos, a maior beneficiada é a Alibem, indústria de carne suína sediada no Rio Grande do Sul. A empresa teve dois de seus frigoríficos, nos municípios gaúchos de Santa Rosa e Santo Ângelo, incluídos na lista. A Agra Alimentos, que pertence ao mesmo dono da Alibem, também foi beneficiada. O abatedouro de bovinos da companhia em Rondonópolis (MT) poderá voltar a exportar aos russos.

Além da Alibem, a catarinense Aurora e a gaúcha Adelle Foods tiveram, cada uma, uma planta de suínos autorizadas a vender aos russos. A unidade da Adelle está localizada em Seberi, e a da cooperativa Aurora fica no município de Sarandi, ambos no Rio Grande do Sul. Entre os frigoríficos de carne bovina, o único beneficiado entre os grandes foi a Minerva Foods. O abatedouro da empresa em Palmeira de Goiás (GO) foi liberado. Completam a lista das plantas de bovinos unidades das companhias Barra Mansa, em Sertãozinho (SP), Frigorífico Astra, em Cruzeiro do Oeste (PR), e Vale do Sapucaí, em Itajubá (MG). Assim como a JBS, a Marfrig, segunda maior produtora de carne bovina, ficou de fora.

No ano passado, a Rússia foi extremamente relevante para as exportações de carne suína do Brasil - respondeu por 40% dos embarques totais e 50% do faturamento. Ao todo, os russos gastaram US$ 693 milhões para importar 259 mil toneladas de carne suína do Brasil, de acordo com dados da Secretária de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura. No caso da carne bovina, Moscou respondia por cerca de 10% das exportações - receita de US$ 487 milhões e volume de 151,6 mil toneladas.

Ao Valor, o vice-presidente de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, estimou que autorização para que quatro abatedouros de suínos voltem a exportar poderá agregar cerca de US$ 50 milhões ainda em 2018. No acumulado deste ano até setembro, as exportações totais de carne suína renderam US$ 876,1 milhões, Hong Kong e China são hoje os maiores importadores.

"Estamos comemorando, embora o número de plantas [habilitadas pelos russos] não seja o mesmo de antes", afirmou Santin. De acordo ele, ainda não está claro as razões para a Rússia autorizar apenas quatro frigoríficos de carne suína. No entanto, ele espera que a decisão seja apenas um primeiro passo de Moscou, e que novas unidades sejam habilitadas no futuro.

Para Santin, a reabertura da Rússia pode ajudar na recuperação da suinocultura brasileira, que sofreu neste ano com o embargo e também com os preços elevados dos grãos usados na ração animal. Segundo o dirigente da ABPA, a Rússia agora formará um tripé para a retomada. Esse trio é completado pela China, que deve elevar as compras de carne suína do Brasil devido ao surto de peste suína africana que atingiu o plantel do país, e ao mercado interno, que fica mais aquecido nas festas de fim de ano.

 

Fonte: Valor Econômico adaptado pela IEG FNP

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