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Aedson Pereira, analista da IEG FNP, comenta os resultados do último relatório do USDA

13/09/2018 - Aedson Pereira, analista da IEG FNP, comenta os resultados do último relatório do USDA

Após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ter projetado uma safra recorde no país em 2018/19, investidores do mercado futuro de soja na Bolsa de Chicago (CBOT) devem aguardar novidades sobre as discussões comerciais entre Estados Unidos e China e avaliar os dados de exportação semanal norte-americanos em busca de pistas sobre a demanda. Ontem, os futuros de soja fecharam em alta na CBOT - apesar de o USDA ter estimado uma colheita dos EUA acima da esperada pelo mercado, o estoque final da safra 2017/18 ficou abaixo do previsto. A notícia de uma possível retomada da negociação comercial entre EUA e China também deu suporte aos preços. O vencimento novembro subiu 8,25 cents (0,99%) e terminou a US$ 8,40/bushel.

Em seu relatório de oferta e demanda de setembro, o USDA aumentou a sua previsão de produção de soja do país em 2018/19 de 4,586 bilhões de bushels (124,82 milhões de toneladas) para 4,693 bilhões de bushels (127,74 milhões de toneladas). Analistas ouvidos pelo Wall Street Journal projetavam uma safra menor, de 4,659 bilhões de bushels (126,81 milhões de toneladas). A estimativa de rendimento foi elevada de 51,6 bushels por acre (3,47 toneladas por hectare) para 52,8 bushels por acre (3,55 toneladas por hectare). O mercado projetava 52,5 bushels por acre (3,53 toneladas por hectare).

Para a safra 2017/18, contudo, o USDA reduziu a sua projeção para o estoque final dos EUA de 430 milhões de bushels (11,70 milhões de toneladas) para 395 milhões de bushels (10,75 milhões de toneladas), volume abaixo do previsto por analistas, de 418 milhões de bushels (11,38 milhões de toneladas). Já para o estoque final norte-americano em 2018/19, a previsão subiu de 785 milhões de bushels (21,37 milhões de toneladas) para 845 milhões de bushels (23,0 milhões de toneladas). O mercado esperava 836 milhões de bushels (22,75 milhões de toneladas).

Para o analista Aedson Pereira, da IEG FNP, o mercado já havia antecipado nas últimas sessões a possibilidade de o USDA estimar uma safra maior do que a prevista em agosto. Mesmo que o número tenha ficado um pouco acima da expectativa, o movimento não surpreendeu. "A soja nesta semana já tinha chegado a US$ 8,25 a US$ 8,30 por bushel. Ela alcançou o seu piso psicológico", ressaltou. "Antes mesmo de o USDA apontar crescimento na produção, já havíamos finalizado agosto com grande potencial de aumentar a perspectiva de oferta de soja nos EUA, dado o relatório semanal do USDA que apontava qualidade melhor para as lavouras de soja norte-americanas e o levantamento da expedição de safra Pro Farmer indicando números maiores do que o USDA previa." Pereira assinalou que a Informa já previa produção norte-americana entre 127 milhões e 128 milhões de toneladas. "Todo mundo já convergia para um cenário de maior oferta de soja e de aumento do estoque dos EUA em 2018/19. Quando o USDA aponta um cenário alinhado à dinâmica do que se esperava, há um movimento de recompra de posições vendidas."

O analista ressaltou ainda que os números da temporada 2017/18 ajudaram a sustentar as cotações, destacando o aumento nas previsões de esmagamento e exportações dos EUA. "Muitos países que compram soja do Brasil focaram em fazer aquisições nos EUA. Os países do bloco europeu, Sudeste Asiático, Japão e Coreia do Sul estão concentrando compras nos EUA, porque a soja norte-americana está mais barata que a brasileira", assinalou. "As exportações de soja dos EUA para essas regiões acabaram minimizando o impacto gerado pela ausência chinesa nas compras de soja norte-americana na etapa final do ano-safra."

Pereira ressaltou ainda que um aumento na previsão de processamento já era esperado porque a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas (Nopa, na sigla em inglês) vem apontando esmagamento em patamares acima de anos anteriores em virtude da demanda por óleo para biodiesel e farelo para proteína animal. Segundo ele, as exportações norte-americanas dos derivados de soja devem surpreender em virtude da menor oferta argentina. "A redução no fornecimento da Argentina beneficiou Brasil e EUA."

Além disso, conforme fontes ouvidas pela Dow Jones Newswires, os EUA propuseram à China uma nova rodada de negociações comerciais, em um esforço para dar a Pequim outra oportunidade de abordar as preocupações de Washington sobre questões comerciais antes que a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, implemente tarifas adicionais sobre as importações chinesas. Autoridades seniores dos EUA, lideradas pelo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, recentemente enviaram um convite a parceiros chineses chefiados pelo vice-primeiro-ministro, Liu He, propondo uma outra reunião para discutir o comércio bilateral, de acordo com as fontes.

O lado norte-americano propôs que as discussões sejam feitas nas próximas semanas e pediu aos chineses que enviem uma delegação ministerial para as negociações. A reunião proposta pode acontecer em Washington ou em Pequim, segundo as fontes. Para Pereira, o mercado segue atento a isso, mas, por ora, o impasse entre China e EUA não parece perto de ser resolvido no curtíssimo prazo.

O analista ponderou ainda que os subsídios anunciados por Trump para minimizar os efeitos da guerra comercial podem estimular o produtor norte-americano a comercializar. "O pacote de US$ 12 bilhões de Trump deve oferecer ao sojicultor norte-americano em torno de US$ 1,60/bushel. Com o preço da soja a US$ 8,30/bushel, o preço vai a US$ 9,90 por bushel com o subsídio", disse. "Isso tende a destravar negócios e devolver liquidez ao mercado."

O USDA também reduziu ontem a previsão de importação da China em 2018/19 de 95 milhões para 94 milhões de toneladas. Para 2017/18, o USDA diminuiu a projeção de importação chinesa de 96 milhões para 94 milhões de toneladas. Também ontem o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China reduziu a sua estimativa de importação de soja a 83,65 milhões de toneladas para o ciclo 2018/19. Em agosto, a previsão era de 93,85 milhões de toneladas. A previsão também é 10,9% menor que as 93,9 milhões de toneladas esperadas para a temporada 2017/18.

Segundo Pereira, com a continuidade da guerra comercial e a taxação chinesa sobre a soja norte-americana, o prêmio pago pela soja brasileira também aumentou porque o País se tornou o principal fornecedor para a China. "A soja brasileira vai chegar na China mais cara, e o custo maior vai ter que ser repassado à indústria de proteína. Se aumentar demais esse custo, no repasse ao consumidor, acaba prejudicando o consumo de carne, o que pode levar à redução de produção", ponderou. Por outro lado, com a febre suína africana, há maior sacrifício de animais para evitar contaminação generalizada do rebanho. "Se tem menos animais disponíveis para engorda, deve diminuir a demanda por farelo e a capacidade de esmagamento das indústrias." Esses fatores explicam a possibilidade de menor importação chinesa da oleaginosa, segundo o analista. "A China diminui a expectativa de importação em virtude da guerra comercial e também por problemas sanitários na cadeia de suinocultura."

Na última quinta-feira (13), investidores acompanham o resultado do relatório semanal de exportação dos Estados Unidos que o USDA divulga às 9h30 de Brasília. Analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires projetavam vendas de 500 mil a 1,3 milhão de toneladas na semana encerrada em 6 de setembro, ante 673,2 mil toneladas na semana até 30 de agosto e 702,5 mil toneladas na semana até 23 de agosto.

As condições de clima na América do Sul também devem receber mais atenção a partir de agora. "Está chovendo bem na Argentina, no Paraguai e no Sul do Brasil, porém a condição não está tão favorável no centro-norte do Brasil, incluindo Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Matopiba", disse Pereira. "Nessa região as previsões não apontam grandes níveis de precipitação no mês de setembro, o que pode gerar atraso no plantio."

 

Fonte: IEG FNP e Broadcast Agro (Agência Estado)

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