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Vicente Ferraz, diretor técnico da IEG FNP, analisa aspectos positivos da valorização do dólar

07/08/2018 - Vicente Ferraz, diretor técnico da IEG FNP, analisa aspectos positivos da valorização do dólar

No início de julho, enquanto os belgas mandavam a seleção brasileira de futebol de volta para casa, eliminada da Copa do Mundo de futebol na Rússia, um outro jogo muito mais acirrado acontecia no Brasil. Mas não em um campo de futebol. O jogo era de nervos e o campo, um volátil mercado financeiro em contraposição ao ideal de uma moeda estável. No dia 6 de julho, a cotação da moeda americana atingiu R$ 3,95 e fechou o dia em R$ 3,93. O valor foi o maior registrado pelo mercado desde o dia 1º de março de 2016, quando o dólar atingiu R$ 3,94. Essa cotação é 23% acima do valor da moeda no início do ano. Dólar alto é bom para quem vende e péssimo para quem compra.

O fato é que a valorização do dólar traz um incômodo outro lado da moeda: o encarecimento do custo de produção, por conta dos insumos, como fertilizantes importados, defensivos e sementes. Os produtores estão enfrentando os maiores custos dos últimos dois anos, embora os dados consolidados serão conhecidos no próximo mês, quando o total dos insumos já estarão comprados. Até agora, em Mato Groso, por exemplo, Estado que colheu 32,3 milhões de toneladas de soja na safra passada, o custeio da lavoura que começa a ser plantada em novembro subiu 2,7%, registrando R$ 2.031 por hectare.

Os insumos que mais subiram de preços foram os fertilizantes básicos, macronutrientes como potássio e fósforo, com alta de 18,3%. No Rio Grande do Sul, o cloreto de potássio subiu 34%. Por isso, para o setor, o que importa na dança do dólar é o momento quando as altas e baixas acontecem. Por exemplo, comprar insumos com o dólar perto de R$ 4, e no próximo ano vender a produção com a moeda americana valendo menos que R$ 3,50 é um cenário que ninguém quer ver. Esse medo vem desde safra 2003/2004, época da primeira eleição do ex-presidente Lula da Silva. Com o mercado receoso em relação a um possível governo do petista, o dólar atingiu R$ 3,95 na época da compra de insumos. No ano seguinte, além da moeda americana despencar para R$ 2,80, houve uma quebra de safra por conta de fortes secas.

Não por acaso, os produtores estão antecipando as vendas da safra 2018/2019 o máximo que conseguem. Isso porque o prêmio pago para a soja brasileira, acima da cotação da Bolsa de Chicago, está em US$ 2 por bushel, ante US$ 0,74 do mesmo período em 2017. Assim, o produtor pode ganhar cerca de R$ 290 por tonelada. Para a China, esse esforço na premiação tem compensado o negócio. Atualmente, a tonelada da soja nacional embarcada ao país asiático pelo porto de Paranaguá (PR) sai por US$ 390, enquanto a americana embarcada no Golfo do México custa US$ 413, já com a sobretaxa de 25%.

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil deve produzir 119 milhões de toneladas neste ciclo, o que transformaria o País no maior produtor global do grão. A estimativa é de que pelo menos 25% desse volume já tenha sido vendido, o que equivaleria a quase 30 milhões de toneladas de soja. Só para comparação, a Argentina, que enfrentou intempéries na safra 2017/2018, produziu no ciclo 38 milhões de toneladas de soja.

Do lado da turma que vê com bons olhos um dólar valorizado, José Vicente Ferraz, diretor-técnico da consultoria Informa Economics IEG-FNP, diz que o impacto da moeda afeta o setor de duas maneiras. “Com a rentabilidade gerada pelas exportações, os agricultores podem aumentar a produção”, diz Ferraz. “E pode haver, também, um maior poder de barganha para conquistar novos mercados, oferecendo desconto no preço, embora a sua formação ocorra no mercado internacional.” Entre os consultores é consenso a projeção para o dólar entre R$ 3,8 e R$ 4 no próximo período.

 

Fonte: IEG FNP e Dinheiro Rural

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