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Soja: guerra comercial entre China e EUA direciona preços na CBOT

09/04/2018 - Soja: guerra comercial entre China e EUA direciona preços na CBOT

O anúncio por parte da China de imposição de tarifa de 25% sobre a importação de soja norte-americana derrubou os preços futuros da oleaginosa na Bolsa de Chicago (CBOT) ontem. A possibilidade de redução da demanda chinesa pelo produto norte-americano e de reorientação da China para a soja brasileira foi a maior influência do dia, e os preços chegaram a cair mais de 4% no overnight. A soja, entretanto, reduziu as perdas, e o vencimento maio cedeu 22,75 cents (2,19%), para US$ 10,1525 por bushel. Como as tarifas chinesas ainda não foram sancionadas e nem têm data específica para serem aplicadas, analistas ouvidos pelo Broadcast Agro foram unânimes em dizer que esta pode ser uma jogada da China para pressionar os EUA a uma negociação comercial. Isso porque, mesmo o Brasil tendo uma safra recorde, não seria capaz de substituir a soja atualmente originada pela China nos Estados Unidos.

A imposição de novas tarifas de importação de 25% contra um total de 106 produtos dos EUA é uma resposta à iniciativa da Casa Branca de impor retaliações por conta da perda que alega ter com violações de propriedade intelectual por parte da China. O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu barreiras em produtos avaliados em US$ 50 bilhões numa lista que inclui 1,3 mil linhas tarifárias, principalmente no setor de alta tecnologia. "As apões americanas representam uma violação internacional e grave dos princípios da OMC", disse Zhang Xiangchen, representante da China na OMC. As tarifas propostas pela China sobre a soja e outras commodities americanas foram projetadas para atingir o cinturão das fazendas dos EUA, principalmente no Meio-Oeste norte-americano, que ajudou a eleger Trump.

O analista Aedson Pereira, da IEG FNP, diz que a China anuncia elevação da tarifa de importação sobre a soja norte-americana em um momento de ampla oferta no Brasil. "O Brasil está em plena colheita de uma safra recorde. Tem 80% da soja brasileira colhida, e tudo indica que vai ser uma safra bem maior do que no ciclo passado", avaliou. De acordo com o analista, o Brasil terá grandes fluxos de exportação. "Essa retaliação vem em um período em que as exportações brasileiras atingem o ápice, em abril e maio", disse. "Nesse momento o volume que sai de soja do Brasil supera a casa de 10 milhões de toneladas no mês. Já se acreditava que a exportação do Brasil seria recorde, porque a produção foi muito boa, mas a China vai potencializar esse recorde." Pereira acredita que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) devem ajustar para cima suas estimativas de exportação, de 67,5 milhões de toneladas e 68 milhões de toneladas, respectivamente, para 70 milhões de toneladas, ou até acima disso. A IEG FNP já trabalhava com projeções de embarques de 70 milhões de toneladas porque as relações comerciais entre EUA e China vinham se deteriorando desde a primeira semana de março, quando os EUA anunciaram tarifa de importação sobre o aço e o alumínio importado da China.

O analista ponderou, contudo, que o anúncio da taxa de importação para soja dos EUA pode ser "um tiro no pé da China". "O país vai sofrer sérias consequências internamente. Do volume total que a China importa do mundo, os EUA correspondem a quase 40%." As importações chinesas de soja alcançaram em 2017 95,5 milhões de toneladas, segundo a Alfândega chinesa. No período, o Brasil foi o principal fornecedor da commodity, ao embarcar 50,9 milhões de toneladas, seguido pelos Estados Unidos, que enviaram para lá 32,8 milhões de toneladas. Na opinião de Pereira, é muito difícil substituir as 30 milhões de toneladas ou mais que seriam adquiridas dos EUA neste ano, porque o Brasil não tem esse volume adicional e a Argentina tem problemas com sua safra. "Não tem a quem recorrer."

Os preços na Bolsa de Chicago, entretanto, sentiram de forma imediata o efeito da medida anunciada pelos chineses. "Se a China diminuir o fluxo de aquisição de soja dos EUA agora vai concentrar as importações no Brasil. Chicago derreteu com o cenário de elevação dos estoques de passagem dos EUA", disse. "Por outro lado, o prêmio no Brasil, que vinha em 90 cents a 1 dólar por bushel, hoje trabalhava na faixa de US$ 1,20 a 1,30 por bushel em alguns portos brasileiros. Os prêmios estão nos maiores níveis da história para o período", diz ele. Para o analista da IEG FNP, depois de assumir o protagonismo na exportação, o Brasil pode se firmar como líder na produção. "Se não houver problema na safra 2018/19, o Brasil pode se tornar o maior produtor mundial de soja. Preço, rentabilidade, produtividade, capitalização, investimento, são vários fatores que convergem para que o Brasil em 2018/19 aumente a área de soja."

Na semana passada, exportadores dos EUA relataram ao Departamento de Agricultura do país (USDA) vendas de 129 mil toneladas de soja para China, com entrega prevista para o ano comercial de 2018/19, e vendas de 325 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega de 130 mil t prevista para o ano comercial de 2017/18 e 195 mil t para 2018/19. O movimento pode já ser uma preparação de importadores para o caso de as tarifas anunciadas ontem de fato se tornarem uma realidade.

A decisão da China de retaliar os Estados Unidos, com novas taxas aplicadas na importação, abre oportunidades para o Brasil no curto prazo, mas, considerando um período mais longo, o País pode sair prejudicado, avalia o presidente da Aliança Agro Brasil-Ásia, Marcos Jank. Segundo ele, a tendência é de que a China busque um acordo com os norte-americanos para assegurar mercado a seus produtos. "Tenho visão bastante cética sobre o que está acontecendo. No curtíssimo prazo claramente há oportunidade para aumentar os embarques de alguns produtos brasileiros, mas o que a China está fazendo é retaliar para negociar e, em uma negociação com os Estados Unidos, para reduzir seu déficit comercial com o país, ela pode eventualmente adotar medidas que beneficiem os EUA e prejudiquem o Brasil", disse Jank.

O executivo lembra que a guerra comercial entre os dois países começou porque os Estados Unidos exportam US$ 115 bilhões por ano para a China, enquanto os chineses vendem US$ 490 bilhões para os norte-americanos. Para reduzir essa diferença, o presidente dos EUA, Donald Trump, taxou produtos chineses. "O mais provável é que os dois países negociem um grande acordo bilateral e, para isso, a China terá de permitir a entrada de um volume maior de produtos norte-americanos em seu mercado, o que potencialmente prejudicaria o Brasil", afirmou. O governo norte-americano, acrescenta o executivo, certamente trabalhará para que a importação da China caia, mas também haverá pressão interna nos EUA para o país exportar mais. "E isso atinge o agronegócio. Dos US$ 115 bilhões exportados pelos EUA para a China, mais da metade disso é commodity, incluindo as agrícolas", enfatiza. Jank acredita que a "escalada de retaliações" não deve durar muito tempo, em virtude de a guerra comercial envolver produtos que podem prejudicar os interesses dos dois países. "Acredito que em alguns meses eles irão para a mesa de negociações. Isso acontecendo, é possível que estabeleçam acordos relativamente rápido".

Grupos que representam agricultores nos Estados Unidos disseram que tarifas chinesas podem reduzir em bilhões de dólares o valor da produção norte-americana de grãos, e alguns produtores já estudam mudanças em seus planos para o plantio, que deve começar em algumas semanas no Meio-Oeste. "Vínhamos alertando o governo e membros do Congresso que isso aconteceria desde que começaram as especulações sobre as tarifas", disse John Heisdorffer, produtor de soja de Iowa e presidente da Associação Americana de Soja, à Dow Jones. "Infelizmente, isso não traz nenhum alento aos milhares de produtores de soja que serão afetados por essas tarifas." O grupo estima que a queda do preço da oleaginosa nesta quarta-feira diminuiu em mais de US$ 1 bilhão o valor da safra norte-americana. O secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, tentou tranquilizar os produtores do país. "Conversei com o presidente", disse Perdue. "E ele me disse, 'Sonny, você pode assegurar aos agricultores que não vamos permitir que eles sejam vítimas se essa disputa comercial se acirrar. Vamos cuidar de nossos produtores. Pode dizer isso diretamente a eles.'"

Zippy Duvall, presidente da Federação Agrícola Americana, um dos principais grupos de lobby do setor, disse que essa disputa tem de acabar. "Sabemos que os mercados sobem e descem", disse Duvall. Mas a ameaça de retaliação chinesa "está testando a paciência e o otimismo de famílias que estão enfrentando a pior situação econômica na agricultura em 16 anos". A empresa de alimentos Cargill também disse estar "bastante preocupada" com a escalada das tensões comerciais entre os dois países. A disputa "pode levar a uma guerra comercial destrutiva com sérias consequências para o crescimento econômico e a criação de empregos", disse a companhia. "Não há vencedores em uma guerra comercial." Alguns produtores estão repensando suas estratégias para o plantio em resposta à ameaça chinesa. A menos de duas semanas do início do plantio em sua fazenda de 809 hectares no Estado de Illinois, o agricultor Aaron Wernz disse à Dow Jones que uma queda acentuada dos preços da soja e preocupações de que as tarifas reduzirão as exportações podem levá-lo a plantar menos soja do que pretendia originalmente. Ele também vai examinar com mais atenção as futuras compras de sementes e fertilizantes se os preços de grãos continuarem deprimidos, disse. "Eu provavelmente acabei de perder US$ 50 mil."

Fonte: IEG FNP e Estadão Conteúdo

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