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IEG FNP/Aedson Pereira: China está retaliando EUA em momento de colheita recorde no Brasil

09/04/2018 - IEG FNP/Aedson Pereira: China está retaliando EUA em momento de colheita recorde no Brasil

O analista Aedson Pereira, da IEG FNP, diz que a China anuncia elevação da tarifa de importação sobre a soja norte-americana em um momento de ampla oferta no Brasil. "O Brasil está em plena colheita de uma safra recorde. Tem 80% da soja brasileira colhida, e tudo indica que vai ser uma safra bem maior do que no ciclo passado", avaliou em conversa com o Broadcast Agro. De acordo com o analista, o Brasil terá grandes fluxos de exportação. "Essa retaliação vem em um período em que as exportações brasileiras atingem o ápice, em abril e maio", disse. "Nesse momento o volume que sai de soja do Brasil supera a casa de 10 milhões de toneladas no mês. Já se acreditava que a exportação do Brasil seria recorde, porque a produção foi muito boa, mas a China vai potencializar esse recorde."

Pereira acredita que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) vão ajustar para cima suas estimativas de exportação, de 67,5 milhões de toneladas e 68 milhões de toneladas, respectivamente, para 70 milhões de toneladas, ou até acima disso. A IEG FNP já trabalhava com projeções de embarques de 70 milhões de toneladas porque as relações comerciais entre EUA e China vinham se deteriorando desde a primeira semana de março, quando os EUA anunciaram tarifa de importação sobre o aço e o alumínio importado da China.

O analista ponderou, contudo, que o anúncio da taxa de importação para soja dos EUA pode ser "um tiro no pé da China". "O país vai sofrer sérias consequências internamente. Do volume total que a China importa do mundo, os EUA correspondem a quase 40%." As importações chinesas de soja alcançaram em 2017 95,5 milhões de toneladas, segundo a Alfândega chinesa. No período, o Brasil foi o principal fornecedor da commodity, ao embarcar 50,9 milhões de toneladas, seguido pelos Estados Unidos, que enviaram para lá 32,8 milhões de toneladas.

Na opinião de Pereira, é muito difícil substituir as cerca de 30 milhões de toneladas que seriam adquiridas dos EUA. O Brasil não tem esse volume adicional e a Argentina tem problemas com sua safra neste ano. "Não tem a quem recorrer." Os preços na Bolsa de Chicago, entretanto, sentiram de forma imediata o efeito da medida anunciada pelos chineses. "Se a China diminuir o fluxo de aquisição de soja dos EUA agora vai concentrar as importações no Brasil. Chicago derreteu com o cenário de elevação dos estoques de passagem dos EUA", disse. "Por outro lado, o prêmio no Brasil, que vinha em 90 cents a 1 dólar por bushel, hoje trabalhava na faixa de US$ 1,20 a 1,30 por bushel em alguns portos brasileiros. Os prêmios estão nos maiores níveis da história para o período", diz ele.

Para Pereira, ainda não é possível calcular até onde podem chegar os prêmios pagos pela soja do Brasil. "O prêmio é um medidor da intensidade da demanda e a demanda hoje já se manifestou de forma tão abrupta que fez o prêmio subir 20 centavos por bushel no Brasil", disse. "O fato é que o mercado já sentiu o efeito e está repercutindo internamente."

Ele acrescenta que, mesmo que o Brasil amplie de 53 milhões de toneladas para 60 milhões de toneladas o volume de soja exportado para a China, o país asiático ainda terá um grande volume para originar de outros mercados. "A China deve importar 97 milhões de toneladas. De onde vai tirar outros 40 milhões de toneladas? A Argentina teve quebra de quase 20 milhões de toneladas. Vai deixar de oferecer 10 milhões de toneladas de soja no mercado internacional."

Produção crescente - Para o analista da IEG FNP, depois de assumir o protagonismo na exportação, o Brasil pode se tornar também o maior produtor mundial. "Se não houver problema na safra 2018/19, o Brasil pode se tornar o maior produtor mundial de soja. Preço, rentabilidade, produtividade, capitalização, investimento, são vários fatores que convergem para que o Brasil em 2018/19 aumente a área de soja. É provável que supere os EUA."

Segundo ele, os EUA já vinham trabalhando com uma projeção de área conservadora, considerando que as margens de lucro encolheram. "A soja próxima dos US$ 10/bushel ou até abaixo de US$ 10/bushel cria insegurança e preocupação para os produtores norte-americanos que estão decidindo entre abril e maio o que plantar." Pereira não descarta uma área plantada menor do que a estimada pelo USDA na semana passada, de 89 milhões de acres (36 milhões de hectares), caso a China prossiga com a intenção de taxar a importação dos EUA. Os preços em Chicago, que vinham reagindo com a ideia de os EUA produzirem menos, voltaram a cair para um patamar que já não oferece margens tão atrativas para o produtor norte-americano.

A exemplo de outros analistas ouvidos pelo Broadcast Agro ao longo do dia, Pereira ressalva que a China não deu prazo para aplicar a nova tarifa sobre a soja dos EUA e que o anúncio pode ser "mais um pleito entre as partes para mostrar quem tem mais força".

 

Fonte: IEG FNP e Estadão Conteúdo

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