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Aedson Pereira, analista de grãos da IEG FNP, comenta sobre influência do clima na Argentina no mercado da soja

02/03/2018 - Temor com safra Argentina volta a sustentar preços em Chicago

Os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago (CBOT) voltaram a subir na terça-feira após as perdas da sessão anterior. O vencimento maio avançou 3,50 cents (0,33%) e fechou a US$ 10,4950/bushel. A preocupação com os efeitos do clima seco na Argentina sobre a oferta do país voltou a sustentar as cotações da oleaginosa. Também contribuiu para os ganhos da soja a alta de mais de 2% do farelo, impulsionado pelo temor com a Argentina, já que o país é o maior exportador do derivado.

Para o analista de grãos Aedson Pereira, da IEG FNP, o mercado segue atento aos desdobramentos do clima na Argentina. "Para que essa alta ganhe ainda mais fôlego, ainda vai depender de observar nas próximas semanas o que está acontecendo na Argentina. Ela é o epicentro desse tumulto todo no mercado. Está todo mundo de olho no potencial da safra argentina em termos de produção de soja e milho", disse o analista.

Segundo Pereira, o mercado tenta neste momento avaliar os quão severos são os problemas causados pela seca na safra do país. O analista aponta que o mercado já trabalha com uma colheita argentina de 46 milhões a 47 milhões de toneladas, enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) fala em 54 milhões de toneladas. "Nos bastidores, outras entidades e consultorias independentes chegam a trabalhar na faixa 40 milhões a 43 milhões de toneladas."

A forte alta do farelo ontem também impulsionou a soja em grão. "As dinâmicas da soja e do farelo estão extremamente correlacionadas", destacou Pereira. "Quando você tem perdas em um grande produtor de soja que é também um grande processador e um grande fornecedor, você estimula a demanda pelo grão." O analista lembra que consumidores de farelo como União Europeia e Sudeste Asiático adquirem o derivado argentino e compram soja para produzir farelo e atender ao restante de suas necessidades. Se o volume a ser importado da Argentina diminuir, eles podem ter de comprar mais grãos para processar, além de buscar fornecedores alternativos do derivado. "A soja está em franca elevação na bolsa de Chicago devido a essa preocupação com a produção de soja na Argentina."

Conforme o analista, os boletins meteorológicos de diferentes instituições ainda indicam um cenário desfavorável para o país. "Não dá para apontar mudança climatológica significativa nas principais áreas de produção da Argentina, no núcleo agrícola do país. Ainda existe um problema muito presente", disse Pereira. "Talvez volte a chover no fim de semana em algumas regiões, mas as temperaturas estão em alta também. Ou seja, o cenário é de temperaturas muito elevadas e baixa incidência de umidade. Isso está gerando um estresse hídrico", ressaltou o analista, lembrando que a condição ideal em um cenário de pouca chuva era de que não fizesse tanto calor.

O analista ressalta que o clima seco e quente está prejudicando não só a Argentina, mas também partes do Uruguai e o sul do Rio Grande do Sul. "Depois de cinco a seis anos de safra espetacular na região sul do Rio Grande do Sul, neste ano parece que a produção de lá vai deixar a desejar. Isso remete à dinâmica da própria Argentina, mas também de toda essa região que teve um microclima que prejudicou e muito o desenvolvimento das lavouras de soja."

Mesmo com as chuvas esperadas para o fim de semana, elas podem ser insuficientes para conter as perdas de produção, segundo o analista. "Por mais que haja possibilidade de ocorrência de chuva, para algumas plantas, essa chegada tardia das precipitações não é suficiente para você minimizar o impacto do bolsão de seca em partes da Argentina, do Uruguai e do Rio Grande do Sul", disse. "O pessoal está acompanhando de perto os boletins meteorológicos que possam dar argumentos sobre como vai ficar a safra argentina de soja e milho."

Quando ficar mais claro o tamanho da safra argentina, o foco deve se deslocar para o clima e as intenções de plantio nos Estados Unidos. "Em abril os olhares se voltam para a safra norte-americana, para o tamanho da área e o clima para a implantação da safra norte-americana." Investidores devem continuar avaliando a evolução do La Niña e se de fato ele perderá força antes do desenvolvimento da safra dos EUA.

Traders também monitoram as chuvas no Brasil. "Além da seca no sul do Rio Grande do Sul, no Paraná tem ocorrido excesso de umidade, com muita chuva atrasando a colheita e gerando grãos ardidos." O analista citou ainda que algumas áreas de Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso também têm enfrentado problemas com umidade excessiva. "Evidentemente que a Argentina é a grande questão, mas algumas regiões do Brasil com esse excesso de umidade também trazem preocupações com a qualidade do grão que está sendo retirado do campo e mesmo com atraso e problemas de queda no potencial produtivo."

Segundo ele, isso tem despertado preocupação nos agricultores. "Esse excesso de umidade não cria condições para produtores entrarem com maquinário. Ao mesmo tempo, hesitam em usar dessecante, porque corre o risco de ter grão brotando, apodrecendo, queda de qualidade do produto." O analista assinalou que, no caso do Paraná, exportadores aguardam maiores volumes de soja para envio ao exterior. "Tem navios esperando soja no Porto de Paranaguá, e tem 20 a 22 dias de atraso para o grão sair do campo."

No mercado doméstico, apesar da alta da CBOT e do dólar, os preços se mantiveram em várias praças, mas continuavam rodando negócios no País em virtude do avanço da colheita e da necessidade de compradores, tanto para exportação como para esmagamento. O fortalecimento do dólar no mercado internacional foi determinante para levar a moeda norte-americana a subir também ante o real, depois de três sessões consecutivas de queda. Ao fim dos negócios no mercado à vista, o dólar foi negociado a R$ 3,2492, em alta de 0,71%.

Na região de Primavera do Leste (MT), saíram negócios pontuais por R$ 63,50/saca para entrega e pagamento em março, preço estável ante o dia anterior, mas abaixo dos R$ 65/saca pelos quais foram fechados acordos na quarta-feira passada. Ontem também havia interesse de compra para exportação de R$ 65/saca para retirada entre abril e junho e pagamento de maio a julho. Volume pequeno acabou sendo comercializado por esse mesmo valor, porém com retirada até 25 de abril e pagamento no dia 30 do mesmo mês.

Na região de Dourados (MS), rodaram ontem pequenos lotes de cereal sul-mato-grossense que totalizaram, aproximadamente, 15 mil toneladas, segundo Leon D'avalo, da Granos. Os negócios foram fechados por valor equivalente a R$ 66/saca para retirada em Dourados até 15 de março e pagamento em 30 dias. O produto será levado para Maringá (PR) - lá, chegará por R$ 73. Para negócios de maior volume, vendedores insistiam em preços acima dos indicados por compradores. A pedida de venda era, em sua maioria, de R$ 67/saca.

Fonte: Estadão e IEG FNP

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